O que acontece na primeira sessão de terapia

A primeira sessão costuma assustar mais do que a terapia em si. Aqui explico o que esperar, como me preparo e o que você não precisa fazer.

Ambiente acolhedor de um consultório de psicanálise

A pergunta que mais me chega no WhatsApp não é sobre valores, horários ou modalidade. É uma variação desta: “o que eu vou falar?”

Se você está aqui, provavelmente já passou semanas — às vezes meses — considerando marcar uma terapia. E quando finalmente cogita ligar, trava. Porque ninguém te contou o que acontece ali dentro.

Antes da sessão

Você não precisa se preparar.

Sério. Não precisa escrever tópicos, não precisa ensaiar como vai começar, não precisa ter clareza sobre o que te trouxe. Se você tivesse essa clareza, talvez nem precisasse de terapia.

O que ajuda é chegar com alguns minutos de sobra — cinco, dez — para respirar antes de entrar. Se a sessão for online, reservar um espaço onde você possa chorar sem ninguém te interromper.

O que eu faço na primeira sessão

Eu escuto.

A primeira sessão tem 50 minutos, como todas as outras. Não é uma “consulta de avaliação” com questionário clínico — é uma conversa. Você me conta o que te trouxe, no ritmo que der. Posso fazer perguntas para entender melhor, mas nada além do que você puder responder naquele dia.

Ao longo da conversa, duas coisas vão se desenhando:

  1. O que está em jogo — que sofrimento é esse, em que contexto ele aparece, como afeta sua vida hoje.
  2. Se fazemos sentido juntas — vínculo terapêutico não é detalhe. Se você não se sentir à vontade, dizer isso é parte do trabalho.

Nos últimos dez minutos, costumo resumir o que escutei, combinamos a periodicidade (normalmente uma vez por semana) e, se você quiser continuar, agendamos a próxima.

O que você não precisa fazer

  • Não precisa chorar. Algumas pessoas choram, outras não. Nenhum dos dois significa algo sobre a validade da sua dor.
  • Não precisa ter um “problema grave”. Sofrimento não precisa de autorização. Se algo te incomoda a ponto de te fazer procurar, já é motivo.
  • Não precisa saber o que sente. Grande parte da terapia é descobrir o que se sente. Se você soubesse, não precisaria vir.
  • Não precisa se comprometer. A primeira sessão existe justamente para você decidir. Não há pressão para continuar.

E depois?

Se decidir seguir, entramos no que chamo de tempo da escuta: sessões semanais onde aquilo que foi dito na primeira conversa começa a desdobrar. Às vezes com alívio rápido, às vezes com desconforto — os dois são parte do processo.

Se decidir que não faz sentido — comigo, ou com terapia agora — tudo bem. Posso indicar colegas, ou você pode simplesmente levar embora o que aprendeu ali e voltar quando for hora.


Se você chegou até aqui, provavelmente algo te trouxe. Uma mensagem no WhatsApp resolve o resto: marcamos uma primeira conversa, e você decide o que fazer depois dela.

Este conteúdo é educacional e não substitui avaliação profissional individual. Se você está em crise e precisa de ajuda imediata, ligue para o CVV (188) ou procure o serviço de emergência mais próximo.

#primeira sessão#terapia#psicanálise#dúvidas

Publicado em · Por Bárbara Lopes Peron · CRP 04/51852

Se essa reflexão te tocou, podemos conversar.


Uma mensagem no WhatsApp é suficiente para começar.

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